De tempos em tempos a mídia encontra um inimigo público numero um para promover um linchamento coletivo, vender revistas e livros, e manipular a opinião pública a seu bel prazer. Muitas vezes este linchamento é justificado, como no caso do cigarro, outras vezes nem tanto, como no caso das gorduras (repito aqui o que já disse antes, a gordura em si não é vilã, desde que consumida longe dos carbos). O fato é que a bola da vez agora é o trigo, que vem sendo tratado como o causador de praticamente todos os males conhecidos pela humanidade até o presente. Obviamente estas paranoias começam sempre pelos Estados Unidos, pais onde, como teorizado por Michael Moore, é preciso que haja sempre um inimigo comum, real ou irreal, que justifique a união coletiva que dá nome ao país. Uma vez dominado o mercado americano estas idéias ganham o mundo através das estações repetidoras, e a confusão está armada.
Ao longo da história foram muitos os inimigos, mitológicos ou não, à povoar o imaginário coletivo americano: os ingleses, os índios, as bruxas de Salem, os negros, os comunistas, os árabes (e os estrangeiros em geral), e claro, o arquétipo máximo do mal, o Diabo.
Como parte desta instituição "inimigo público", fortemente ligada à identidade americana, o mais recente, é o trigo (mais precisamente o glúten). E o responsável maior por essa nova "bruxa" é o livro "Barriga de trigo" escrito pelo médico americano William Davis, que, sim, é roliço, e sim, possui uma barriga (fotos), mas que ele jura não ser de trigo.
Davis não tem o menor constrangimento em reconhecer que as orientações de seu livro são inteiramente baseadas na sua experiência própria, e que ele nunca conduziu um estudo científico sobre o assunto, mas que seus pilares nutricionais se baseiam em observações anedóticas que fez em si mesmo e em seus pacientes, o que em termos de ciência possui pouquíssimo valor (não deixe de assistir a reportagem investigativa no final da postagem - em inglês).
Acontece que ele é um sujeito bonachão, do tipo tele-evangelista, perfil que cai como uma luva para se vender qualquer sistema de crenças à pessoas pouco esclarecidas (é assim que muitas igrejas funcionam). É exatamente isso o que ele faz em suas turnês de divulgação e conferências para auditórios lotados, onde promove os ditames de sua bíblia-barriga de trigo, com uma convicção messiânica. E, claro, deu muito certo.
Primeiro outros autores começaram a pegar carona no filão, com livros como "Grain Brain" de David Permlutter, e "The No-Grain Diet" de Joseph Mercola. Os programas de TV e as celebridades logo correm para abraçar a causa, com um fervor impressionante, como por exemplo a chatinha Gwyneth Paltrow ou a onipresente Ophra, e pronto, estava criado o hype e a histeria.
Acontece que ele é um sujeito bonachão, do tipo tele-evangelista, perfil que cai como uma luva para se vender qualquer sistema de crenças à pessoas pouco esclarecidas (é assim que muitas igrejas funcionam). É exatamente isso o que ele faz em suas turnês de divulgação e conferências para auditórios lotados, onde promove os ditames de sua bíblia-barriga de trigo, com uma convicção messiânica. E, claro, deu muito certo.
Primeiro outros autores começaram a pegar carona no filão, com livros como "Grain Brain" de David Permlutter, e "The No-Grain Diet" de Joseph Mercola. Os programas de TV e as celebridades logo correm para abraçar a causa, com um fervor impressionante, como por exemplo a chatinha Gwyneth Paltrow ou a onipresente Ophra, e pronto, estava criado o hype e a histeria.
O livro de Davis e a paranoia anti-glúten já foram desmascarados como alarmista em trilhões de ocasiões, como aqui (escrito por um médico professor da Universidade de Ottawa), aqui, aqui, aqui, especialmente este aqui, (texto um pouco longo, mas que para mim é definitivo), entre outras. Mas agora o bolso dele já está cheio de dinheiro, assim como a cabeça das pessoas está cheia de confusão acerca do trigo.
Reconheço que, como muitos outros, recebi com muita atenção as novas sobre o trigo propagadas por ele há uns dois anos, e graças ao princípio da credibilidade de Reid (que é uma das condições primordiais para se viver em sociedade) inicialmente lhe dei algum crédito. Porém uma reflexão posterior, uma auto-experimentação, e algumas leituras complementares logo me tornaram cético em relação às suas frágeis alegações.
Segundo o próprio Davis, a coisa toda funcionou assim: após uma epifania, ele resolveu cortar o trigo de sua dieta e logo perdeu peso, e ao aplicar essa medida em seus pacientes passou a observar melhoras anedóticas nos mesmos. Reuniu suas notinhas e escreveu um best seller. Dentro de sua lógica foi automático assumir que a culpa da obesidade e de uma enormidade de doenças é do trigo. Ele perdeu peso sim (não muito, porque continua roliço), mas só porque criou uma variação de dieta low-carb, que sim, funciona, como você pode ler aqui.
Dito isto, gostaria de humildemente escrever algumas palavras sobre trigo e glúten direcionada aos que pensam em seguir a dieta Whole food plant based, e se interessam no assunto.
Reconheço que, como muitos outros, recebi com muita atenção as novas sobre o trigo propagadas por ele há uns dois anos, e graças ao princípio da credibilidade de Reid (que é uma das condições primordiais para se viver em sociedade) inicialmente lhe dei algum crédito. Porém uma reflexão posterior, uma auto-experimentação, e algumas leituras complementares logo me tornaram cético em relação às suas frágeis alegações.
Segundo o próprio Davis, a coisa toda funcionou assim: após uma epifania, ele resolveu cortar o trigo de sua dieta e logo perdeu peso, e ao aplicar essa medida em seus pacientes passou a observar melhoras anedóticas nos mesmos. Reuniu suas notinhas e escreveu um best seller. Dentro de sua lógica foi automático assumir que a culpa da obesidade e de uma enormidade de doenças é do trigo. Ele perdeu peso sim (não muito, porque continua roliço), mas só porque criou uma variação de dieta low-carb, que sim, funciona, como você pode ler aqui.
Dito isto, gostaria de humildemente escrever algumas palavras sobre trigo e glúten direcionada aos que pensam em seguir a dieta Whole food plant based, e se interessam no assunto.
Em primeiro lugar o trigo é um alimento espetacular, que tem sustentado boa parte da humanidade há milhares de anos, e seria estranho que apenas agora ele se transforme subitamente em algo do mau. É por causa do trigo (e dos grãos em geral) que o homem encontrou tempo para fazer arte, filosofar, criar teorias matemáticas e físicas. Construir a civilização basicamente.
O trigo é rico em proteínas, energia, minerais como ferro e zinco, e vitaminas. Quando integrado à uma dieta Whole food plant based o trigo e seus derivados são atores de destaque, sendo uma opção saciante, saudável, deliciosa e prática no cardápio, quando em suas formas integrais, ou minimamente processadas. Eu procuro evitar ao máximo o consumo das formas processadas, em que as fibras e boa parte dos nutrientes foram retiradas, e o alimento se torna uma versão empobrecida de si mesmo. E jamais, jamais consumo trigo, ou qualquer produto de trigo acompanhado de alimentos gordurosos, porque neste caso sim, podem haver problemas, que aliás aconteceriam mesmo se você substituísse o trigo por qualquer outra fonte de carboidratos.
O trigo é rico em proteínas, energia, minerais como ferro e zinco, e vitaminas. Quando integrado à uma dieta Whole food plant based o trigo e seus derivados são atores de destaque, sendo uma opção saciante, saudável, deliciosa e prática no cardápio, quando em suas formas integrais, ou minimamente processadas. Eu procuro evitar ao máximo o consumo das formas processadas, em que as fibras e boa parte dos nutrientes foram retiradas, e o alimento se torna uma versão empobrecida de si mesmo. E jamais, jamais consumo trigo, ou qualquer produto de trigo acompanhado de alimentos gordurosos, porque neste caso sim, podem haver problemas, que aliás aconteceriam mesmo se você substituísse o trigo por qualquer outra fonte de carboidratos.
Exceto por portadores da doença celíaca, que representam 1 % da população mundial, não existem motivos para se abandonar o consumo do trigo. Portanto, caso não seja um portador desta doença eu não me preocuparia com o trigo. E porque ? Porque Não há evidências até o momento de que uma "intolerância não-celíaca" ao glúten exista.
As pessoas mais atentas já começam a desconfiar que talvez hajam interesses mais mundanos por trás disso tudo. Interesses mercadológicos gigantescos por trás da satanização do Glúten. Acredita-se que os americanos vão gastar 16 bilhões de dólares em 2016 (contra 2,6 bilhões em 2002) para comprar alimentos sem glúten, que em condições normais custariam três vezes menos (veja os vídeos no final da postagem - em inglês).
Obs : Cada palavra que escrevo aqui, embora honestamente baseada em leituras de fontes fiáveis, está longe de ser um conselho médico ou uma prescrição. Aconselho que cada um, antes de decidir-se por uma dieta, qualquer uma, deverá antes consultar pessoalmente um profissional de saúde qualificado e discutir com ele claramente sobre a escolha que deseja seguir, e se esta escolha irá se adequar à sua condição pessoal, de maneira que o eventual leitor use o texto como ponto de partida para sua pesquisa pessoal, sempre validada pessoalmente por seu médico ou nutricionista.



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