Esse post é uma continuação da postagem anterior, A ciência por trás da Dieta. Favor, lê-lo antes de continuar a leitura do post atual.
Como visto na postagem anterior, existe um enorme mal entendido em torno do papel dos carboidratos na gênese da hiperinsulinemia, e de suas consequências temidas: hipertensão, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, entre outras. A resistência insulínica é causada por uma alta concentração de ácidos graxos livres (gordura) provenientes da dieta. É essa gordura que impede a insulina de agir, causando o ciclo vicioso que culmina em acúmulo de gordura progressivo e danos subsequentes. Basta que, simplesmente, se reduza a gordura da dieta para níveis seguros (em torno de 10% da proporção total de macronutrientes), que a resistência insulínica deixa de existir como mágica, mesmo que o consumo de carboidratos bons seja alto o suficiente ao ponto do paciente poder comê-los em todas as refeições até a saciedade. A gordura em si também não é vilã, desde que consumida longe dos carbos.
Uma versão radical desta solução, foi realizada nos anos 40, na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, pelo médico alemão Walter Kempner, que de maneira inicialmente empírica, começou a alimentar seus pacientes com nada mais do que arroz branco puro. Uma premissa inicialmente ultra-bizarra, mas que deixaria um legado valioso para a medicina no que se refere ao metabolismo humano. Observe que, trata-se de uma dieta incompleta em nutrientes, e não recomendada para ser feita em condições habituais. O ponto aqui é exclusivamente, o de demonstrar que, a resistência insulínica NÃO É PROVOCADA PELOS CARBOIDRATOS como divulgado pelo mainstream.
E como funcionou este estudo ?
De volta ao experimento, o Dr Kempner começou a alimentar uma paciente de 33 anos, de maneira à priori empírica e intuitiva, com uma dieta rica em carboidratos e muito pobre em gorduras, que representavam míseros 5 % do total energético. Sua motivação inicial era controlar a pressão sanguínea da doente. Ela foi orientada a comer nada além de arroz, e ainda por cima sem sal. O experimento seria de curto termo. Esta primeira paciente do programa retornou 2 meses depois, ao contrário das 2 semanas estabelecidas pelo médico, pois a mesma não entendia bem o seu forte sotaque alemão. E para a surpresa do médico sua pressão sanguínea que era de 190 x 120, baixou para 120 x 80, e seus danos na retina e papila (olhos), que são consequências da hipertensão grave, haviam sumido.
Animado, o médico ampliou o experimento para um grupo maior de doentes, incluindo além dos severamente comprometidos, outros menos graves, mas ainda assim doentes, sendo na maioria obesos, hipertensos, e com doenças renais e cardio vasculares associadas, em diversos graus. Um conjunto de vitaminas era suplementado aos doentes visto a baixa densidade nutricional do arroz.
Gradualmente, o médico começou a notar uma redução importante no peso dos pacientes a cada visita. Como a dieta era de fato monótona, ele desconfiou que os doentes podiam estar desnutridos, e começou a adicionar outros tipos de amiláceos, verduras, frutas e legumes, no intuito de moderar esta rápida perda no peso. Sucos de fruta eram consumidos também. Mas continuou firme na decisão de limitar as gorduras em 5% do total, estando estas presentes apenas na composição natural dos alimentos oferecidos.
Ainda assim os pacientes continuavam a perder peso progressivamente. Como a melhora das condições clínicas dos doentes era notável, e o Dr. Kempner já havia percebido que os carboidratos não eram o problema, tomou uma atitude ousada e adicionou açúcar branco comum de mesa à dieta dos doentes, para serem consumidos à vontade, pois temia que a dieta fosse pobre demais em calorias. E eles continuaram a perder peso.
Sendo assim, Kempner documentou as principais mudanças no grupo ao longo do experimento, sendo as mais notáveis a perda de peso, o controle na hipertensão, na glicemia, a melhora no perfil lipídico, e o mais impressionante, como uma dieta rica em carboidratos (90 % do total) que incluía inclusive açúcar comum, desde que fosse também uma dieta pobre em lipídios, controlava o desenvolvimento e eventualmente curava pacientes com diabetes do tipo 2. Caso queira ler o relatório do Dr Kempner acesse aqui.
A dieta passou a ser conhecida como "dieta do arroz", e a Universidade de Duke, nos Estados Unidos re ativou o programa de Kempner, tratando pacientes extremamente graves que por vezes apresentavam remissão clínica completa de condições cardio vasculares e metabólicas gravíssimas, através deste método que desafia o conhecimento médico convencional, mas que é tão simples e vai direto ao ponto: fim da resistência insulínica por mísera supressão da gordura na dieta.
Existe também nos Estados Unidos, o Centro "Rice House", casa do arroz em português, onde uma equipe de endocrinologistas ministra uma dieta baseada em carboidratos: arroz, grãos, frutas, vegetais e feijões. Como se tratam de pacientes extremamente obesos, ou mesmo gravemente doentes, inicialmente pratica-se também uma restrição calórica, pois estas pessoas, alguns com stents cardíacos por exemplo, necessitam de resultados mais do que urgentes. E com o registro de inúmeros resultados de sucesso:
Finalmente, que lições metabólicas valiosas podem ser tiradas deste experimento ?
. Os carboidratos não são os responsáveis pela resistência insulínica, síndrome metabólica, e de suas consequências mais sinistras, como o diabetes, a hipertensão e as doenças cardiovasculares, incluindo as doenças isquêmicas. O fato de que o consumo de carboidratos gere um pico de insulina como reflexo, não implica em causa e efeito da hiperinsulinemia. Mais tarde publicarei postagens com trabalhos indexados recentes, que atestam o sucesso da terapia com dietas pobres em gorduras e alta em carboidratos, na remissão de graves condições de saúde.
. O baixíssimo teor de gordura na dieta, mesmo associado à uma dieta onde mais de 80 % dos macronutrientes eram compostos por carboidratos, está relacionado com a remissão de doenças metabólicas graves, de maneira importante. Esse é também o momento ideal de dizer que, na medida que os pacientes do Dr Kempner iam melhorando, ele ia permitindo a introdução de carnes consideradas "magras" na dieta, e também de peixes. Entretanto, mesmo pequenas quantidades destes alimentos começavam à provocar perturbações nos resultados clínicos, sendo esta perturbação diretamente proporcional à presença da gordura na dieta. Mesmo a carne mais magra possui muito mais gordura do que grãos e raízes que são basicamente puro carboidrato com alguma proteína. Uma vez retirados novamente estes alimentos, os benefícios também voltavam. A gordura é inequivocamente o causador da resistência insulínica, como amplamente documentado na literatura médica (favor ver a postagem anterior para acessar alguns destes estudos)
Afirmar que, os carboidratos são a causa da síndrome metabólica e de suas consequências é uma falácia, e inúmeros experimentos provam o contrário. O problema surgirá apenas se adicionarmos gorduras fora da proporção ideal, quando a resistência à insulina será promovida.
A dieta divulgada por este blog, seria, de certa forma, uma evolução, uma espécie 2.0, ou 3.0 desta premissa. Ou seja, continua-se a comer 80 % do total calórico da dieta oriundo de carboidratos bons, e apenas 10 % de gorduras. Porém, a fonte destes carboidratos inclui apenas carboidratos bons (o açúcar está fora), oriundos de uma variedade espetacular de alimentos, repletos de nutrientes, saborosos, baratos, etc. Come-se o quanto tiver vontade, até sentir-se satisfeito, e por uma obvia questão de acerto metabólico, perde-se peso e ganha-se saúde.
Obs: Cada palavra que escrevo aqui, embora honestamente baseada em leituras de fontes fiáveis, está longe de ser um conselho médico ou uma prescrição. Aconselho que cada um, antes de decidir-se por uma dieta, qualquer uma, deverá antes consultar pessoalmente um profissional de saúde qualificado e discutir com ele claramente sobre a escolha que deseja seguir, e se esta escolha irá se adequar à sua condição pessoal, de maneira que o eventual leitor use o texto como ponto de partida para sua pesquisa pessoal, sempre validada pessoalmente por seu médico ou nutricionista.
A dieta do Dr. Kempner era inicialmente recomendada apenas aos seus pacientes mais doentes, que eram sobretudo hipertensos muito graves, portadores da forma maligna da doença, para a qual não existiam tratamentos medicamentosos eficientes naquela altura. Concomitantemente estes mesmos pacientes associavam inúmeras condições mórbidas ao seu estado geral: obesidade, diabetes, lesões renais, etc. Nada disso é um acaso, pois todos estes transtornos orbitam em torno da síndrome metabólica, cujo mecanismo foi explicado na postagem anterior, sendo o erro alimentar que leva à obesidade, um fator etiológico dos mais importantes para o seu desenvolvimento.
De volta ao experimento, o Dr Kempner começou a alimentar uma paciente de 33 anos, de maneira à priori empírica e intuitiva, com uma dieta rica em carboidratos e muito pobre em gorduras, que representavam míseros 5 % do total energético. Sua motivação inicial era controlar a pressão sanguínea da doente. Ela foi orientada a comer nada além de arroz, e ainda por cima sem sal. O experimento seria de curto termo. Esta primeira paciente do programa retornou 2 meses depois, ao contrário das 2 semanas estabelecidas pelo médico, pois a mesma não entendia bem o seu forte sotaque alemão. E para a surpresa do médico sua pressão sanguínea que era de 190 x 120, baixou para 120 x 80, e seus danos na retina e papila (olhos), que são consequências da hipertensão grave, haviam sumido.
Animado, o médico ampliou o experimento para um grupo maior de doentes, incluindo além dos severamente comprometidos, outros menos graves, mas ainda assim doentes, sendo na maioria obesos, hipertensos, e com doenças renais e cardio vasculares associadas, em diversos graus. Um conjunto de vitaminas era suplementado aos doentes visto a baixa densidade nutricional do arroz.
Gradualmente, o médico começou a notar uma redução importante no peso dos pacientes a cada visita. Como a dieta era de fato monótona, ele desconfiou que os doentes podiam estar desnutridos, e começou a adicionar outros tipos de amiláceos, verduras, frutas e legumes, no intuito de moderar esta rápida perda no peso. Sucos de fruta eram consumidos também. Mas continuou firme na decisão de limitar as gorduras em 5% do total, estando estas presentes apenas na composição natural dos alimentos oferecidos.
Ainda assim os pacientes continuavam a perder peso progressivamente. Como a melhora das condições clínicas dos doentes era notável, e o Dr. Kempner já havia percebido que os carboidratos não eram o problema, tomou uma atitude ousada e adicionou açúcar branco comum de mesa à dieta dos doentes, para serem consumidos à vontade, pois temia que a dieta fosse pobre demais em calorias. E eles continuaram a perder peso.
Sendo assim, Kempner documentou as principais mudanças no grupo ao longo do experimento, sendo as mais notáveis a perda de peso, o controle na hipertensão, na glicemia, a melhora no perfil lipídico, e o mais impressionante, como uma dieta rica em carboidratos (90 % do total) que incluía inclusive açúcar comum, desde que fosse também uma dieta pobre em lipídios, controlava o desenvolvimento e eventualmente curava pacientes com diabetes do tipo 2. Caso queira ler o relatório do Dr Kempner acesse aqui.
A dieta passou a ser conhecida como "dieta do arroz", e a Universidade de Duke, nos Estados Unidos re ativou o programa de Kempner, tratando pacientes extremamente graves que por vezes apresentavam remissão clínica completa de condições cardio vasculares e metabólicas gravíssimas, através deste método que desafia o conhecimento médico convencional, mas que é tão simples e vai direto ao ponto: fim da resistência insulínica por mísera supressão da gordura na dieta.
Existe também nos Estados Unidos, o Centro "Rice House", casa do arroz em português, onde uma equipe de endocrinologistas ministra uma dieta baseada em carboidratos: arroz, grãos, frutas, vegetais e feijões. Como se tratam de pacientes extremamente obesos, ou mesmo gravemente doentes, inicialmente pratica-se também uma restrição calórica, pois estas pessoas, alguns com stents cardíacos por exemplo, necessitam de resultados mais do que urgentes. E com o registro de inúmeros resultados de sucesso:
Finalmente, que lições metabólicas valiosas podem ser tiradas deste experimento ?
. Os carboidratos não são os responsáveis pela resistência insulínica, síndrome metabólica, e de suas consequências mais sinistras, como o diabetes, a hipertensão e as doenças cardiovasculares, incluindo as doenças isquêmicas. O fato de que o consumo de carboidratos gere um pico de insulina como reflexo, não implica em causa e efeito da hiperinsulinemia. Mais tarde publicarei postagens com trabalhos indexados recentes, que atestam o sucesso da terapia com dietas pobres em gorduras e alta em carboidratos, na remissão de graves condições de saúde.
. O baixíssimo teor de gordura na dieta, mesmo associado à uma dieta onde mais de 80 % dos macronutrientes eram compostos por carboidratos, está relacionado com a remissão de doenças metabólicas graves, de maneira importante. Esse é também o momento ideal de dizer que, na medida que os pacientes do Dr Kempner iam melhorando, ele ia permitindo a introdução de carnes consideradas "magras" na dieta, e também de peixes. Entretanto, mesmo pequenas quantidades destes alimentos começavam à provocar perturbações nos resultados clínicos, sendo esta perturbação diretamente proporcional à presença da gordura na dieta. Mesmo a carne mais magra possui muito mais gordura do que grãos e raízes que são basicamente puro carboidrato com alguma proteína. Uma vez retirados novamente estes alimentos, os benefícios também voltavam. A gordura é inequivocamente o causador da resistência insulínica, como amplamente documentado na literatura médica (favor ver a postagem anterior para acessar alguns destes estudos)
Afirmar que, os carboidratos são a causa da síndrome metabólica e de suas consequências é uma falácia, e inúmeros experimentos provam o contrário. O problema surgirá apenas se adicionarmos gorduras fora da proporção ideal, quando a resistência à insulina será promovida.
A dieta divulgada por este blog, seria, de certa forma, uma evolução, uma espécie 2.0, ou 3.0 desta premissa. Ou seja, continua-se a comer 80 % do total calórico da dieta oriundo de carboidratos bons, e apenas 10 % de gorduras. Porém, a fonte destes carboidratos inclui apenas carboidratos bons (o açúcar está fora), oriundos de uma variedade espetacular de alimentos, repletos de nutrientes, saborosos, baratos, etc. Come-se o quanto tiver vontade, até sentir-se satisfeito, e por uma obvia questão de acerto metabólico, perde-se peso e ganha-se saúde.
Obs: Cada palavra que escrevo aqui, embora honestamente baseada em leituras de fontes fiáveis, está longe de ser um conselho médico ou uma prescrição. Aconselho que cada um, antes de decidir-se por uma dieta, qualquer uma, deverá antes consultar pessoalmente um profissional de saúde qualificado e discutir com ele claramente sobre a escolha que deseja seguir, e se esta escolha irá se adequar à sua condição pessoal, de maneira que o eventual leitor use o texto como ponto de partida para sua pesquisa pessoal, sempre validada pessoalmente por seu médico ou nutricionista.




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