quinta-feira, 21 de maio de 2015

A questão das proteínas






Uma das perguntas mais chatas e cansativas que são feitas costumeiramente à quem decide abandonar os alimentos de origem animal da dieta é a clássica: "de onde você costuma tirar suas proteínas ?". Pelo fato das proteínas serem um macronutriente de extrema importância, existem muitos mitos e lendas em torno delas como um todo, do seu real papel, e sobretudo, da quantidade a ser consumida idealmente na dieta. 

Boa parte das pessoas acredita que os produtos de origem animal são o único meio possível de se adquirirem proteínas de qualidade através da dieta, enquanto outros pensam que os vegetais possuem sim proteínas, mas que elas são "poucas", "fracas", ou "de baixo valor nutritivo". Muitos pensam que vão ficar fracos e passarão fome se não comerem um pedaço de carne, ou vários. Outros acreditam mesmo que vão morrer sem ela. Pura desinformação. 

De acordo com a American Dietetic Association, uma dieta que exclua todos os alimentos de origem animal é saudável e nutricionalmente adequada, tanto em termos de quantidade proteica, quanto de outros nutrientes. Portanto, desde que uma pessoa não deixe de comer produtos de origem animal para se entupir com apenas Doritos com refrigerante, tudo fica bem. 

Basta que a dieta seja bem planejada, variada, colorida e pronto. Uma dieta composta por alimentos majoritariamente integrais, originados de plantas (Whole food plant based diet) oferece um suprimento satisfatório não apenas de PROTEÍNAS, mas também de FERRO, ZINCO, CÁLCIO, VITAMINA D, MAGNÉSIO, POTÁSSIO, Etc, etc, etc. Mas uma especificidade de uma dieta rica em plantas é a sua abundância de Fito nutrientes (polifenóis, flavonóides, etc) que SABIDAMENTE possuem ação anti-oxidante, anti-hipertensão, anti-envelhecimento, anti-câncer, anti-inflamatória, anti-lipêmica, imuno moduladora, etc. (Mais evidências aqui, aqui, aqui e aqui.







Seguem abaixo alguns links de fontes extremamente fidedignas, para jogar na sarjeta qualquer questionamento em torno do valor nutricional (sobretudo proteico) de uma dieta baseada em plantas.

. Leia aqui a posição absolutamente favorável da American Dietetic Association sobre o alto valor nutricional de uma dieta baseada em plantas.

. Leia aqui uma circular da American Heart association atestando as plantas como fonte completa de aminoácidos

. Leia aqui matéria do Medical Journal of Australia (texto claro e direto ao assunto)

. Leia aqui diretriz do Centro de Controle e Prevenção de doenças do governo americano.

O único nutriente que requer uma atenção especial numa dieta baseada em plantas é a vitamina B12, que não é produzida por nenhum animal ou planta, mas sim por uma bactéria. Os animais contaminados com estas bactérias acumulam esta vitamina nos músculos, que é depois ingerido pelo homem. Portanto, uma pessoa que torna-se vegetariana deverá tomar vitamina B12 à partir do terceiro ano de mudança para esta dieta, pois as reservas corporais duram todo este tempo. Embora muitas farinhas, e produtos comerciais sejam enriquecidos com vitamina B12, de qualquer maneira, é mais seguro repô-la. É interessante dizer também que muitas pessoas que se alimentam de carne também podem precisar complementar vitamina B12, portanto isso não é uma exclusividade de quem segue uma dieta sem produtos de origem animal.

Obs: Cada palavra que escrevo aqui, embora honestamente baseada em leituras de fontes fiáveis, está longe de ser um conselho médico ou uma prescrição. Aconselho que cada um, antes de decidir-se por uma dieta, qualquer uma, deverá antes consultar pessoalmente um profissional de saúde qualificado e conversar com ele claramente sobre a escolha que deseja seguir, e se esta escolha irá se adequar à sua condição pessoal. Trata-se de expor e divulgar um estilo alimentar, que não afirmo ser a unica opção possível para se comer de forma saudável, de maneira que, o eventual leitor use o texto como ponto de partida para sua busca, sempre validada pessoalmente por seu médico ou nutricionista.

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