segunda-feira, 4 de maio de 2015

A Dieta Ocidental Padrão

Talvez o primeiro reflexo do leitor ao se deparar com um Blog escrito High Carb no título seja a sensação de que essa dieta permita se entupir de doces, salgadinhos de milho ricos em gordura, pão branco e outras coisas do tipo. Na verdade, esta é a primeira coisa a ser eliminada de sua dieta. Em primeiro lugar estes alimentos nem poderiam ser chamados de "alimento". 

São comidas criadas pela industria alimentar, graças ao seu menor valor de produção e potencial lucrativo, graças à sua capacidade de serem produzidos em escala industrial. Estes produtos passam geralmente por um processo onde a água e boa parte dos nutrientes é retirada, sendo reduzidos à uma pequena fração do original, geralmente composta por calorias vazias. Os principais exemplos são o açúcar refinado e os xaropes de milho, a farinhas refinadas, e as gorduras vegetais "sintéticas" (óleos vegetais, gordura vegetais hidrogenada). Além de vendê-los isoladamente, a industria dispõe de uma infinidade de produtos que combinam por vezes os três componentes, resultando em produtos altamente calóricos, de baixo valor nutricional, pobres em fibras e extremamente concentrados no sabor salgado ou doce (hiper palatabilidade), e por isso viciantes, sobretudo para as crianças em fase de amadurecimento do paladar.





E todo esse lixo está deixando o planeta doente, e todo mundo está cansado de saber disso. Claro que qualquer um vai sobreviver à ela se praticá-la eventualmente em um dia de festa, uma excentricidade, ou uma comemoração. Porém, basear a dieta de uma vida neste estilo é assumir o risco de sofrer em determinado momento de hipertensão, diabetes, síndrome metabólica, esteatose, constipação, câncer, e claro, a obesidade, que são os efeitos a longo prazo desta dieta em boa parte das pessoas que a seguem, pelo que tudo indica, independente de grupo étnico ou patrimônio genético. A dieta ocidental padrão é definida pela sigla SAD em inglês, que também quer dizer triste. Uma dieta pouco diversa em sabor e cores, sem nutrientes, e potencialmente mortal à longo prazo.






É interessante notar que, se a nutrição for estudada em conjunto com a antropologia  uma mera observação que associe os hábitos alimentares de um determinado grupo populacional e a incidência das doenças típicas do mundo moderno (obesidade, diabetes, hipertensão, etc), nos indica que os grupos que se alimentam basicamente de grãos, raízes, frutas, legumes e verduras, com pouca ou muito pouca adição de alimentos processados, gordurosos, ou de origem animal, inclusive os laticínios, apresentam uma incidência muito pequena destas doenças, quando em comparação com os grupos populacionais do ocidente, praticantes de uma dieta rica em gordura, alimentos processados e rica em produtos de origem animal. 

Pense na Asia, e nos bilhões de orientais que ainda se alimentam à base de arroz, nos africanos da Africa Central, nos grupos nativos restantes da América do sul, que se alimentam quase que exclusivamente de raízes, por exemplo. Todos com uma menor incidência das doenças típicas do mundo moderno. E mesmo que uma eventual tipologia genética seja convocada para justificar esta vantagem, basta dizer que, estas mesmas pessoas, uma vez em contato e praticando a dieta ocidental padrão, passam a desenvolver as mesmas doenças na mesma proporção.


A boa notícia é que a dieta ocidental padrão não é uma sentença de morte. Não se você sair fora dela enquanto ainda há tempo. É curioso como depois do primeiro mês alimentando-se de maneira limpa, você começa a ter nojo de comer estas comidas, e mesmo à se perguntar como permaneceu com ela durante tanto tempo. Portanto, saiba que existe um estilo alimentar, natural, racional, e para o qual estamos naturalmente preparados, te esperando, fácil, saborosa e saudável, e basta você começar a segui-la que as mudanças começarão quase que instantaneamente. No próximo post eu a descreverei passo à passo.

Obs: Cada palavra que escrevo aqui, embora honestamente baseada em leituras de fontes fiáveis, está longe de ser um conselho médico ou uma prescrição. Aconselho que cada um, antes de decidir-se por uma dieta, qualquer uma, deverá antes consultar pessoalmente um profissional de saúde qualificado e discutir com ele claramente sobre a escolha que deseja seguir, e se esta escolha irá se adequar à sua condição pessoal, de maneira que o eventual leitor use o texto como ponto de partida para sua pesquisa pessoal, sempre validada pessoalmente por seu médico ou nutricionista.

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